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Ouvindo de fora entrevista 01 ~ com Natan Schäfer

Iniciando a fase de entrevistas do podcast ouvindo de fora, recebemos para uma edição piloto Natan Schäfer da editora Contravento editorial. Falamos muito sobre a sua trajetória no mundo da tradução e das editoras, sobre o surrealismo e muito mais. Ouça no player abaixo:

E-mail e link para o instagram do Natan/Contravento estão logo abaixo.

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Para entrar em contato conosco, e-mail para: tim@ouvindodefora.com

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A paixão segundo eu mesma

Por Isadora Carvalho

Dia desses me senti a própria G.H. Sem todo aquele glamour da Clarice, é claro. Estava eu sentada nos fundos da minha casa, fumando um cigarro, olhando as estrelas e escutando Sharon Van Etten. Gosto muito de Seventeen. Sempre gostei de qualquer coisa dessas que remetem a tempos mais simples. Livros e filmes de Coming of Age. Músicas sobre adolescência. Síndrome de Peter Pan? Só pode ser. Mas G.H. não era adolescente. Pelo menos não era o que Clarice dava a entender. Enfim, estava eu ali, sentada no chão de concreto, quando surge uma barata. Nunca tive medo de barata. Aqui em casa, é pra mim que sobra o trabalho sujo. Lembro de uma vez, quando tinha uns cinco anos, que entrei debaixo da mesa da sala, com o chinelo em riste, procurando minha rival, enquanto esta, serena, escalava a perna da minha prima, um ano mais nova. Mas lá estava, fumando meu cigarro e olhando as estrelas quando a presença daquela criaturinha me chamou a atenção. Imediatamente me lembrei de G.H. E teria como não lembrar? Li G.H. porque um crush me indicou. Na época eu passava por uma fase conturbada, talvez estivesse com uns papos meio dark. Ele disse que eu o fazia lembrar da G.H. Fui ler o livro pra tirar a prova. Pois bem, existe alguém no mundo que não se identifique com G.H.? Ou com Clarice? Porra, a mulher é citada a rodo no Facebook, na maior parte das vezes em frases que nem são dela, devem ser da Bíblia, sei lá. Se bem que a comparação até que faz sentido. Se Igreja de Clarice Lispector houvesse, fiel seria eu. Que mulher incrível. E que bela maneira de divagar sobre a existência a partir de uma barata. Obrigada, crush. Pra alguma coisa de bom você serviu. Mas estava eu ouvindo Sharon Van Etten, fumando um cigarro e olhando a barata. Ela parou a poucos centímetros de mim. Não tive medo. Não esbocei reação alguma. Apenas me lembrei de G.H. Não, antes de qualquer coisa, não comi a barata. Como eu queria que minha vida fosse um filme, mas jamais teria a mesma coragem ou ousadia de G.H. Pela minha cabeça passavam as mais variadas ideias. Acho que vou escrever alguma crônica, sobre a Clarice numa roda de samba, cantando “E aí Clarice o que cê vai fazer? Vou comer a barata pra me defender”. Todos riam muito e ela virava mais um shot de rabo de galo. Imagino que seria lindo tomar uns rabos de galo com Clarice. Não saberia de início o que dizer, mas o álcool acabaria fazendo sua parte. E logo estaríamos abraçadas na sarjeta, cantando que “não era amor, era cilada”. Olhei pra barata. Ela permaneceu imóvel. A Sharon cantava. Eu lembrava de G.H.

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ouvindo de fora 06 ~ daquela época (música independente brasileira de 2000 a 2009)

Edição número 06 do programa dessa vez relembrando músicas da geração dos anos 2000 do rock independente brasileiro. Falei “dessa época” umas 30 vezes durante o episódio.

Como dito no programa a seleção das músicas foi um misto de memória afetiva com músicas que foram importantes no período, não é top de melhores e com certeza tem muita coisa extremamente relevante faltando. Fique a vontade para mandar/comentar outros sons que vc gosta dessa época que em algum momento teremos a parte 2.

Lista das músicas que rolaram:

mombojó, deixe se acreditar
autoramas, carinha triste
bazar pamplona, agora eu sou vilão
supercordas, ruradélica
lulina, bichinho do sono
violins, grupo de extermínio de aberrações
css, acho um pouco bom
pública, long plays
pitty, semana que vem
cidadão instigado, homem velho
charme chulo, amor de boteco
ludov, sobrenatural
poléxia, a caminho da quinta à sétima quadra
superguidis, mais um dia de cão
pullovers, lição de casa
caxabaxa, torre de quinta
walverdes, novos adultos
wado e o realismo fantástico, deserto de sal
pipodélica, tudo em preto e branco
wonkavision, brinquedos
cérebro eletrônico, pareço moderno

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INGESTÃO

Por Natan Schäfer

lista de todas as coisas que o suposto autor deste texto ingeriu intencionalmente e de comum acordo consigo mesmo da manhã do dia 11 de junho de 2021 às 9h da manhã do dia 18 de junho do mesmo ano1.

Prólogo

Há muito tempo que o ser humano alimenta-se. Portanto, há muito tempo que a ingestão é uma atividade essencial à existência da espécie humana e de outras igualmente vivas. Contudo, é enorme a disparidade que separa a sua importância para manutenção da vida da atenção que lhe é conferida enquanto tema das mais variadas produções humanas — para limitarmos o escopo deste prólogo de modo a que sua extensão seja breve — contemporâneas.

Por isso hoje apresentamos aqui, n’Ouvindo de fora, esta INGESTÃO, lista em ordem alfabética de tudo que foi ingerido pelo seu suposto autor ao longo de uma semana, acrescida de algumas notas elaboradas pelo mesmo.

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John & Yoko + Paul & Linda = ?

Por Vitor Nery

“Qual o seu Beatle favorito?”. Já ouvi essa pergunta batida umas diversas vezes na vida. Ora era John, ora Paul. Às vezes dizia George para soar diferente, mas nunca quis soar diferente o suficiente para responder Ringo. No fundo, ficava mesmo entre John e Paul. Sendo bem honesto, tive minhas idas e vindas com os Beatles, desde achar a banda a “mais incrível de todos os tempos” lá pelo fim da minha adolescência, até achar o clichê do clichê já com uns 20 e poucos anos. Hoje, já tendo passado da barreira dos 30, acho uma ótima banda e muito importante para a história do rock e da música pop como um todo. Porém, algo que sempre me fascinou foi essa aparente dualidade entre uma das maiores duplas de compositores já vista: Lennon–McCartney.

Ultimamente, tenho me pegado pensando bastante nas carreiras de ambos no período pós Beatles. Acredito que algumas pequenas coincidências estejam me levando a isso. Em 1971, Lennon lançou o clássico disco Imagine e McCartney, o então incompreendido Ram. Ambos os discos compostos em ambientes bucólicos e um tanto quanto rurais. Feitos por artistas que ainda se descobriam após o fim da banda. Compostos ao lado de suas companheiras: Yoko Ono Lennon e Linda McCartney. Também há um pouco de identificação pessoal: hoje tenho 31 anos, a mesma idade que John ao lançar seu álbum (Paul era um pouco mais novo, estava próximo de completar 29). Tenho me identificado com os temas que ambos trouxeram nessa fase pós-Beatles e vejo que, apesar de estarem com a amizade abalada à época, os dois discos conversam muito bem um com o outro.

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ouvindo de fora 05 – back in business

chegando com a edição número 05 do podcast ouvindo de fora, um tico de falação e muito som.

Lista de músicas que tocaram no programa, em ordem:

squarepusher, my red hot car
fresh lounge, connected successfully
the damned, life goes on
brian eno and david byrne america is waiting
frank Jorge, não recebe em dólar
the the giant
cate le bon, are you with me now?
out hud, its for you
otto, dilata
kim gordon, don’t play it
royal family and the poor, art on 45
gary numan, m.e
tim maia, do leme ao pontal ao vivo em 1992
di melo, a vida em seus métodos diz calma
os diagonais, novos planos para o verão
four tet, parks

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Courtney Barnett, Bob Dylan e Bill Murray entram em um bar…

Por Isadora Carvalho

Já me aconteceu mais de uma vez. A maior parte não foi de propósito, mas algumas foram. Sabe quando você tá no meio de alguma conversa e o cérebro parece voar pra longe?

Adoro as cenas de filme onde isso acontece — normalmente, um foco no personagem, sons e imagens embaralhados ao fundo e por aí vai. Mas na vida real a gente não consegue se valer desses recursos cinematográficos, então inventamos técnicas para driblar uma conversa tediosa, por exemplo. Quando me vejo presa nessa situação, costumo mentalizar uma música de elevador, olhar dentro dos olhos da pessoa que tá falando e acenar afirmativamente com uma frequência razoável. Não é maldade. É apenas um mecanismo de sobrevivência na vida em sociedade. Pelo menos é isso que eu digo pra mim mesma.

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Yo La Tengo: como me descobri na banda favorita dos críticos

Por Vitor Nery

Dos meus 18 aos 21 vivi a minha fase mais barulhenta, por assim dizer. Na época, eu escutava bastante noise e coisas da cena alternativa americana do fim dos anos 1980 e início dos 1990. Foi uma época em que me conectei muito com a guitarra distorcida, comecei a entender e discernir os sons ruidosos dos pedais, queria ouvir estática de televisão em alto volume num fone de ouvido. Ouvia muita coisa dessa época mas sobretudo Sonic Youth, Pixies e Dinosaur Jr. Acho que essa provavelmente seria a minha “santíssima trindade” naquele momento. Foi por causa dela que cheguei a bandas como Pavement, Sebadoh, Superchunk e, inevitavelmente, Yo La Tengo.

Acho que descobri o Yo La Tengo lá por 2010 ou 2011, quando eu tinha entre 20 e 21 anos. Eu estava me reconectando com músicas mais “limpas” e menos carregadas na distorção, pode-se dizer que me afastando um pouco da Fender Jazzmaster. O grande responsável por isso deve ter sido o Yo La Tengo. Eles faziam um som que podia ser chamado de noise porém muito mais melódico do que o das outras bandas que eu costumava ouvir. Não que elas não fossem melódicas em certa medida, mas aquilo era diferente. Vocais, melodias, o próprio uso de pedais era algo um pouquinho diferente.

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Uma alucinação e três sonhos de uma noite de verão¹

Por Natan Schäfer

“é verdade esse bilhete”: o que se segue é a anotação protocolar dos sonhos de uma noite de verão, realizada pela manhã, logo após o despertar do sonhador. Esta anotação consta num dos vários cadernos de sonhos de Natan Schäfer, como muitos, um sonhador. Porém, que por razões igualmente várias, adquiriu o hábito — por ora, cá e enquanto, não discutiremos se mau ou bom — de transcrever seus sonhos; hábito este mantido ora a macias, ora a duras penas durante alguns anos e cadernos.

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ouvindo de fora 04

de volta as origens do ouvindo de fora, tocando só pepitas:

Lista das músicas tocadas na ordem:

Pulp, Do You Remember the First Time?
Pulp, Babies
The Cars, Shake it Up
Parquet Courts, Almost had to start a fight/in and out of patience
Pulp, razzmatazz
Dry Cleaning, More Big Birds
Dry Cleaning, Scratchcard Lanyard
Sharon Von Etten, Love more By Fiona Apple
Jupitter Apple, The true love of spider
Tatá aeroplano, Trinta anos essa noite
Pulp, Lipgloss
Do Amor, morena russa
Pato fu, menti pra você, mas foi sem querer
monno, grand hotel (kid abelha cover)
Pullovers , Tchau
Pulp, Common people
My bloody valentine, new you
Toro y Moi, Blessa
Jarv is, House musing playing all night long
Beck, Sissyneck